Jacques Roumain, orvalho feito homem

Nascido em Porto Príncipe em 1907, ele viveu apenas 37 anos. Preso diversas vezes, exilado, contraiu malária na cadeia, causa provável da sua morte. Mas há quem avente a possibilidade de que tenha sido envenenado. Seja como for, Jacques Roumain foi o fundador do Partido Comunista do Haiti, em 1934, tendo para a sua terra a mesma importância que José Carlos Mariátegui e Astrojildo Pereira tiveram para o Peru e o Brasil, respectivamente. Além de ativista, ele foi escritor e ensaísta dos mais qualificados. Na verdade, inúmeros domínios suscitaram a sua curiosidade intelectual: da Arqueologia à Etnologia e desta à Literatura e às Artes em geral. Autor de uma verdadeira obra prima - Gouverneurs de la rosée (Senhores do orvalho), a qual praticamente integra a visão ecológica ao experimento literário -, ele fundou ainda publicações como o jornal La Vie Indigène, aos 20 anos de idade.

Jaques Romain e o genial poeta cubano Nicolás Guillén
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"Jacques Roumain foi, ainda, um dos primeiros a reunir, por meio de sua ação teórica, marxismo e realidade pré-colonial do Arquipélago das Antilhas e do Caribe. Ou seja, as sociedades sem classes eram uma fonte de inspiração. Para ele, da mesma forma que o homem branco, o homem negro era ator do processo de civilização, se atacando, em particular, à questão do complexo de inferioridade, que tanto influenciaria Frantz Fanon (aliás, psiquiatra de formação). Jacques Roumain costumava dizer que tinha um livro de cabeceira e este era Anti-Dühring, de Friedrich Engels. Ele enriqueceu o marxismo ao agregar a ele uma dimensão étnica, anticolonial. A Internacional Comunista, fundada por Vladimir Lenin, entendeu, desde o seu primeiro ano, isto é, já em 1919, a força dessas lutas.” |
Quando leio algum texto ou livro de Jacques Roumain, imediatamente me vem à memória a figura de Toussaint L´Ouverture. Pois ao mesmo título que o grande líder das lutas antiescravagistas no Haiti, e que também teria sido envenenado na França, mais precisamente na prisão do Forte de Joux, por ordem de Napoleão Bonaparte, Jacques Roumain, tal qual o orvalho sobre a vegetação, anunciava o frescor e a liberdade.

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"Jacques Roumain foi, ainda, um dos primeiros a reunir, por meio de sua ação teórica, marxismo e realidade pré-colonial do Arquipélago das Antilhas e do Caribe. Ou seja, as sociedades sem classes eram uma fonte de inspiração. Para ele, da mesma forma que o homem branco, o homem negro era ator do processo de civilização, se atacando, em particular, à questão do complexo de inferioridade, que tanto influenciaria Frantz Fanon (aliás, psiquiatra de formação). Jacques Roumain costumava dizer que tinha um livro de cabeceira e este era Anti-Dühring, de Friedrich Engels. Ele enriqueceu o marxismo ao agregar a ele uma dimensão étnica, anticolonial. A Internacional Comunista, fundada por Vladimir Lenin, entendeu, desde o seu primeiro ano, isto é, já em 1919, a força dessas lutas.” |


