Nuvem de Fumaça: Ampliar o Grupo Especial é um erro de gestão
Nuvem de Fumaça: Ampliar o Grupo Especial é um erro de gestão

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Por Luiz Carlos Prestes Filho
Exclusivo Catetear Notícias
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Enquanto a Prefeitura do Rio de Janeiro ensaia "fazer barulho" com a proposta de ampliar o número de agremiações no Grupo Especial, os bastidores do Sambódromo revelam uma realidade menos festiva e muito mais cruel. Sob o verniz dos holofotes, a gestão municipal tenta esconder sua histórica incompetência administrativa com uma manobra expansionista que ignora o básico: a dignidade humana e a logística operacional de quem realmente faz a festa. Entre 2006 e 2010, coordenei o estudo multidisciplinar sobre a Cadeia Produtiva da Economia do Carnaval onde foi mapeado os gargalos e as oportunidades do setoriais. Mais de uma década e 300 páginas do livro "Economia do Carnaval" depois, as conclusões continuam sendo ignoradas por quem ocupa o gabinete refrigerado. A pergunta que fica é: por que focar em aumentar o espetáculo se não conseguimos gerir o que já existe?
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"O foco do executivo municipal deveria estar na infraestrutura da CONCENTRAÇÃO (acesso e permanência) na Avenida Presidente Vargas, na Praça Onze e, crucialmente, na DISPERSÃO, atrás da Praça da Apoteose. O que vemos hoje é um desrespeito absoluto travestido de evento turístico. O que existe é o abismo entre a elegância dos camarotes e a realidade das calçadas.” |
A gestão do Sambódromo parou no tempo. Não basta espalhar guardas municipais com cacetetes ou distribuir copos d'água como se fossem caridade. É urgente entender que a era da escravidão acabou senhores gestores! É inadmissível que as baianas — pilares ancestrais da nossa cultura — passem horas sentadas no meio-fio, sob sol ou chuva, enquanto o Prefeito desfruta de champanhe e ritmos alheios ao samba em camarotes de luxo.

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"Quais são pontos críticos negligenciados? Por exemplo, a infraestrutura de Higiene. A conservação dos banheiros é precária, beirando a insalubridade, forçando o uso de banheiros químicos horrorosos que não atendem à demanda nem à dignidade dos desfilantes. Na dispersão o retorno dos carros alegóricos aos barracões após o desfile é uma odisseia de riscos. A falta de pavimentação adequada e espaço manobrável transforma o final da festa em um pesadelo logístico. ” |
Aconteceu um erro de planejamento urbano quando o terreno do antigo presídio Frei Caneca foi cedido para construção de um condomínio. Foi uma oportunidade perdida. Em vez de ser projetado como uma área estratégica de dispersão e suporte para as escolas, as obra estrangularam de vez o fluxo da Passarela do Samba. Por tanto, ampliar o Grupo Especial sem resolver o déficit de infraestrutura é assinar um atestado de irresponsabilidade. O Carnaval do Rio não precisa de mais volume; precisa de projeto, respeito e dignidade humana. Antes de convidar mais gente para a sala, a Prefeitura precisa consertar o telhado e limpar a casa. O samba agradece — mas o samba de verdade, aquele que se faz no chão, e não o das aparências políticas.
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Luiz Carlos Prestes Filho é Especialista em Economia da Cultura e coordenador do estudo pioneiro Cadeia Produtiva da Economia do Carnacal (2006-2010)



