RETÓRICA QUE FAZ SENTIDO
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RRETÓRICA QUE FAZ SENTIDO

Por Paulo Bruck
Exclusivo - Catetear Notícias
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Carlos Alberto Sardenberg afirmou no jornal "O Globo", em 16.02.2026: "Calcula-se que 70% do capital global esteja alocado em fundos de investimentos no mercado americano. E 6% nos emergentes. Um pouco que saia de Iá faz uma baita diferença para os emergentes, mas não empobrece o mercado americano..." Penso que como retórica é um pensamento bom e até faz sentido. Entretanto, não chegou a 70% (se for isso mesmo) de um dia para o outro. Para se tirar de lá é preciso que outro lugar traga mais segurança e mais garantias que hoje tem-se lá. Ou, se lá comece a não dar o que se tem. Os emergentes garantem mais rentabilidade, porém, é por causa exatamente da insegurança e falta de garantias. É como em um círculo, faz com que a insegurança, a falta de garantias e a rentabilidade maior gere uma falta de condições concorrencial com o passar do tempo. O Capital se muda e procura mais rentabilidade ou volta para o "porto seguro" a espera de uma nova oportunidade.
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"As condições não podem ser conjunturais, devem ser estruturais. E tais mudanças ou condições em países emergentes são mais lentas que a "paciência" do Capital Global.” |
O Trump parece meio errático, mas o plano dele está funcionando, mais lentamente que ele deseja. Dólar barato, petróleo/energia barato e atuações na "segurança pública" ("menor" quantidade de imigrantes, menor remessas, menor oferta de mão de obra "informal"). Juros baixos, produção aquecida, tarifas externas baratas, importações de insumos e alimentos baratos e exportações a preços mais competitivos. Preços internos e emprego estáveis, mesmo com salários maiores pela "formalização" dos contratos de trabalho.
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"Economia girando acima dos 4%, sem solavancos, e aparentemente de forma sustentável. Estamos falando da maior economia do mundo, enquanto, por aqui, por exemplo, estamos "patindo" para crescer 2%, e desacelerando... para complicar estamos seguindo para um "gargalo" fiscal preocupante para 2026 e 27.” |
Estruturalmente o que mais impactaria a mudança de como somos vistos pelo Capital Internacional seria um choque de segurança jurídica. E pelo visto, devido aos noticiários, seria necessário quase uma Revolução para que isto acontecesse.
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Paulo Bruck é economista



