São Jorge no Imaginário do Brasil

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São Jorge no Imaginário do Brasil

Por Luiz Carlos Prestes Filho – Exclusivo Catetear

 

Catetear

 

O editor de “Salve Jorge! Ogunhê” desde as primeiras páginas demonstra ser um cuidadoso colecionador de obras literárias que enaltecem São Jorge. Canonizado, em 494 pelo papa Gelásio I, ele é um dos mais populares no mundo. Mesmo depois de ter sido excluído do calendário litúrgico da Igreja Católica, em 1969, pelo papa Paulo VI, devido à falta de comprovação histórica de sua existência. Mas o seu culto milagroso é tão forte que dia 23 de abril, data em que foi executado pelo imperador Diocleciano, é feriado no Rio de Janeiro.

Capa: Arte de Roberto Pereira

sobre obra de Rafael Sanzio (1483-1520)

São Jorge “é padroeiro de Londres, Moscou, Barcelona, Génova, Régio da Calábria, Ferrara, Friburgo e Beirute”, apesar de ter nascido na turca Capadócia. No Brasil foi adotado pelos cultos de matriz africana como Ogum, tornando-se o “orixá guerreiro e protetor que vive e reina na lua e também no coração”. Apesar de questionamentos de líderes religiosos que afirmam que Ogum viveu há 10 mil anos na cidade de Irê, na Nigéria, e São Jorge, na Capadócia, há 2 mil anos.  

 O livro “Salve Jorge! Ogunhê” leva o leitor ao cancioneiro popular do Brasil, na apresentação assinada por pelo jornalista Carlos Franco, que com habilidade transita entre Zeca Pagodinho e Jorge Ben Jor, Jorge Mário da Silva e Maria Bethânia, Moacyr Luz e MC’s Racionais, Alcione e Alceu Valença. O núcleo do livro é baseado em uma seleção original de crônicas e contos de autores de diferentes Estados do Brasil. Entre estes destaco o carioca Edmir Saint-Clair que prende a atenção com uma linguagem, no início realista, que inesperadamente passa para o realismo mágico. Vale a pena conferir.

Monumento a São Jorge , Moscou, Rússia

A editora Olympia de Uberlândia emoldurou o livro colocando na capa a obra renascentista “São Jorge e o dragão” de Rafael Sanzio (1483-1520), a qual acrescentou uma folha da espada de São Jorge. Solução simples e assertiva. Em todo território nacional existe a crença de que esta planta purifica espiritualmente o ambiente. Exposta na entrada de casas protege os moradores, afastando energias negativas e mau-olhado.

Catetear

Serviço:

“Salve Jorge! Ogunhê”, 124 páginas

Editora Olympia, 2024.

Uberlândia, Minas Gerais

  

 

Luiz Carlos Prestes Filho é diretor e roteirista de filmes documentários para televisão e cinema, escritor e poeta.

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