Três visões na poesia de Ikkyu

Três visões na poesia de Ikkyu

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Ikkyu Sojun (1394 - 1481) foi um poeta e monje zen japonês. Conhecido pela irreverência e profundidade de seus versos, que buscam transmitir uma visão, desde cedo demonstrou inteligência aguçada e uma inclinação para a rebeldia, traço que carregou ao longo da vida. Sua crítica à hipocrisia religiosa lhe rendeu inimizades, mas sua profunda sensibilidade e espiritualidade conquistaram um respeito e uma admiração duradouras. Séculos depois de sua morte, ele é hoje considerado um dos mais influentes monges zen e poetas da história do Japão.

 

Estátua de Ikkyu em seu templo em Kyoto, Japão

 

Em sua poesia, ele trata tanto da natureza em suas formas mais simples – chamando a atenção sobre como tudo acontece por si só –, quanto de apontar para um estado além da lógica, além da fala e do pensamento. Abaixo, três traduções de seus versos, a partir da versão em inglês de Stephen Berg.

 

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ninguém mandou as flores surgirem ninguém

vai pedir para elas irem embora quando a primavera acabar

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um poço que ninguém cavou cheio de água nenhuma

ondula e um homem sem peso e sem forma bebe

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tantas palavras sobre isso

a única linguagem é não abra seus lábios