VENTOS EM HARMONIA

Ana Clara Guerra - foto Jisa Dantas
Por Luiz Carlos Prestes Filho
Exclusivo para o Catetear
Foram novos ventos que ouvi, ao apreciar o álbum "Novos Ventos" de Ana Clara Guerra. Indicado pela interprete, professora e compositora Janaína Santiago, ouvi e voltei ao mesmo algumas vezes. Por conta da emoção, frente a maestria da violonista.
Ana Clara Guerra em "Novos Ventos" - foto Felipe Vianna
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"Por ser frequentador da Capital Brasileira da Seresta a melodia e o arranjo da obra "Seresteira" me envolveu. Ela traz a nostalgia que se vive quando andamos pelas ruas em pé de moleque daquele lugarejo que fica junto a fronteira que separa o Rio de Janeiro de Minas Gerais. O violão de Ana Clara Guerra me levou ao imaginário romântico das caminhadas seresteiras que acontecem madrugada a dentro. Quando o olhar apaixonado promete amor por toda vida. Na segunda seção da música acontece uma pequena transição, oferecendo cores novas. A violonista "acede os antigos lampiões" e delicadamente volta para o tema inicial. O centro tonal prevalece nos conduzindo para o final.” |
A segunda melodia que me tocou foi "Sons da Cidade (Viva)". Percebi nela as ruas movimentadas de Uberlândia, cidade natal de Ana Clara Guerra. O violão consegue ser tonal e atonal, as cordas demonstram o conhecimento acadêmico e a vivência na tradição da música popular das Minas Gerais. O ouvinte pega transporte público, entra nas lojas, caminha por supermercados e vê o por do sol. A cidade para inesperadamente no meio da composição e, em seguida, volta para repetir suas variações sonoras de gritos, buzinas, gargalhadas e o bater das portas.
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"Novos Ventos" é o primeiro álbum autoral da artista. Que venham mais ventos desta brasilidade.” |
Luiz Carlos Prestes Filho é diretor e roteirista de filmes documentários para televisão e cinema, escritor e poeta.