A Trilha da Coluna Prestes é legado histórico e territorial

A Trilha da Coluna Prestes é legado histórico e territorial

Coluna Prestes Trilha de Longo Curso

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Por Miguel Manso

Fonte: https://www.engd.org.br/post/a-trilha-da-coluna-prestes-em-legado-hist%C3%B3rico-e-territorial

Em encontro que uniu memória histórica, desenvolvimento sustentável e turismo de base comunitária, organizações e entidades de trilheiros reuniram-se para dar um passo decisivo na implantação da histórica e lendária Trilha do Cavaleiro da Esperança.

Mapa original traçado pelo general revolucionário da Coluna Prestes, Miguel Costa

O projeto, que visa consolidar um percurso de 24.000 km percorridos pela Coluna Prestes entre 1924 e 1927, busca transformar essa memorável jornada em uma trilha de longo curso estruturada, sinalizada e integrada à Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade (RedeTrilhas).

"O encontro foi promovido por Luíz Carlos Prestes Filho, é diretor de cinems, escritor, compositor e jornalista, focou sua carreira na Economia da Cultura e na preservação da memória histórica da Coluna Prestes e de sua família, há anos dedica-se ao cuidado da memória histórica de Prestes. Sua atuação tem sido fundamental para a implantação de monumentos, centros de documentação e museus nas cidades que testemunharam a passagem da coluna.

Reunião dos interessados em estruturar as Trilha de Longo Curso da Coluna Prestes

As trilhas com diversos trechos e percursos, percorrerão os monumentos desde o primeiro Memorial em Santo Ângelo, passando pelo Memorial em Porto Alegre projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer e ou na maravlhosa homenagem prestada pelo Governo do Estado de Tocantins na cidade de Palmas, também com projeto de Oscar Niemeyer, grande amigo de Prestes.

Monumentos Coluna Prestes no Tocantins, Paraná, Rio Grande do Sul e Ceará

Agora, a iniciativa ganha um novo capítulo ao unir a preservação histórica à metodologia consolidada da Rede Brasileira de Trilhas (Rede Trilhas), que já soma mais de 10.500 km implantados em todo o país.

A proposta da Trilha do Cavaleiro da Esperança alinha-se perfeitamente aos pilares que fundamentam as trilhas de longo curso no Brasil. Assim como experiências consolidadas internacionalmente — a Appalachian Trail nos Estados Unidos, os Grand Randonnées (GR) europeus, ou os caminhos do South West Coast Path no Reino Unido — a trilha que resgata a rota da Coluna Prestes será muito mais do que um percurso para caminhantes.

Sua implantação visa:

  • Ser infraestrutura de recreação e contato com a natureza, conectando pessoas a paisagens históricas e naturais;
  • Funcionar como vetor de desenvolvimento sustentável, gerando emprego e renda de forma desconcentrada ao longo dos municípios envolvidos;
  • Valorizar culturas, tradições e a memória histórica, promovendo ordenamento turístico dos territórios;
  • Atuar como um grande corredor verde, conectando unidades de conservação e fragmentos florestais, favorecendo a manutenção dos processos ecossistêmicos.

A experiência brasileira na estruturação de trilhas de longo curso tem se mostrado um case de sucesso. Desde a criação da Rede Nacional de Trilhas, por meio das portarias conjuntas do MMA, MTur e ICMBio, o país já conta com mais de 300 trilhas distribuídas em 26 unidades federativas, conectando mais de 390 Unidades de Conservação.

"Um exército de dezenas de milhares de voluntários contribui para a manutenção e expansão desse sistema, que hoje soma mais de 10.500 km implantados, com a expectativa de dobrar nos próximos cinco anos.

Sentados (da esquerda para a direita): ​Djalma Dutra, ​Siqueira Campos, ​Luiz Carlos Prestes, ​Miguel Costa, ​Juarez Távora, ​João Alberto, ​Cordeiro de Farias.​Atrás, em pé:Pinheiro Machado, ​Atanagildo França, ​Emigdio Miranda, ​João Pedro, ​Paulo da Cunha Cruz, ​Ari Salgado Freire, ​Nelson Machado, ​Manoel Lira, ​Sadi Machado, ​Trifino Correia, ​Ítalo Landucci (Foto: Agência Estado)

A Trilha do Cavaleiro da Esperança será estruturada seguindo os mesmos padrões técnicos que garantem a qualidade e segurança da rede. A sinalização, por exemplo, seguirá o padrão nacional, com a pegada e a seta como símbolos universais, além do uso de cores para indicação de sentido (preto para Norte, amarelo para Sul), garantindo que o caminhante possa percorrer longas distâncias sem dificuldade de orientação.

A Rede Empreendedora que se forma em torno das trilhas é capaz de gerar cadeias produtivas locais. Experiências como o Caminho da Fé, que envolve 72 municípios entre São Paulo e Minas Gerais, e movimenta mais de R$ 70 milhões por ano, ou o Caminho de Cora, em Goiás, que viu sua visitação saltar de 450 pessoas em 2019 para 6.000 em 2022, demonstram o potencial econômico. Na prática, isso significa que, ao longo dos 24.000 km da Coluna Prestes, poderão ser desenvolvidos:

  • Meios de hospedagem e campings; Pontos de apoio para peregrinos e ciclistas; Artesanato com simbologia local; Serviços de guias e transporte de apoio; Museus e centros de interpretação histórica.

          Na foto do alto Erick Xavier, Luiz Carlos Prestes Filho, Sara Moraes e Sandra Finkler

          Assim como na Appalachian Trail, que injeta anualmente US$ 4 bilhões na economia americana, ou no South West Coast Path, que gera £ 307 milhões e sustenta 7.500 empregos diretos no Reino Unido, a Trilha do Cavaleiro da Esperança tem potencial para se consolidar como um poderoso vetor de desenvolvimento regional.

          Na cidade de Descanso, no oeste de Santa Catarina, o artista Neuri Neolon realizou um mural em homenagem aos revolucionários

          "Uma das grandes lições aprendidas com a Rede Brasileira de Trilhas é que o sucesso desses empreendimentos vai além da sinalização.

          A Rede Empreendedora que se forma em torno das trilhas é capaz de gerar cadeias produtivas locais. Experiências como o Caminho da Fé, que envolve 72 municípios entre São Paulo e Minas Gerais, e movimenta mais de R$ 70 milhões por ano, ou o Caminho de Cora, em Goiás, que viu sua visitação saltar de 450 pessoas em 2019 para 6.000 em 2022, demonstram o potencial econômico.

          Na prática, isso significa que, ao longo dos mais de 2.000 km da Coluna Prestes, poderão ser desenvolvidos:

          • Meios de hospedagem e campings; Pontos de apoio para peregrinos e ciclistas; Artesanato com simbologia local; Serviços de guias e transporte de apoio; Museus e centros de interpretação histórica.

                  O capitão Luiz Carlos Prestes chegando no Estado do Paraná (1925) depois de atravessar o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Pela frente a travessia das terras do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Tocantins, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Bahia e Minas Gerais.

                  Assim como na Appalachian Trail, que injeta anualmente US$ 4 bilhões na economia americana, ou no South West Coast Path, que gera £ 307 milhões e sustenta 7.500 empregos diretos no Reino Unido, a Trilha do Cavaleiro da Esperança tem potencial para se consolidar como um poderoso vetor de desenvolvimento regional.

                  O Brasil já demonstra uma demanda interna robusta por experiências de longa duração e contato com a natureza. O país é o quinto em número de pessoas que fazem o Caminho de Santiago de Compostela, e 20% dos visitantes do Circuito O em Torres del Paine são brasileiros. As unidades de conservação federais receberam mais de 15 milhões de visitas em 2019, gerando R$ 3,8 bilhões em valor agregado ao PIBAs tendências do turismo apontam para o crescimento do slow travel, do turismo regenerativo e de experiências que combinam três elementos fundamentais: disponibilidade, disposição e dinheiro. A trilha de longo curso atende exatamente a esse perfil, minimizando a sazonalidade e distribuindo os benefícios econômicos ao longo de todo o percurso. O encontro promovido por Luíz Carlos Prestes Filho contou com a participação de entidades de trilheiros, representantes de municípios, órgãos públicos e empresas que serão parceiras fundamentais nessa jornada. A proposta é estruturar a trilha por trechos, respeitando as particularidades de cada região e contando com a governança compartilhada — marca registrada da Rede Brasileira de Trilhas.

                  "A inspiração vem também de projetos como os Caminhos do Iguaçu, iniciativa da Adetur Cataratas & Caminhos que já integra rotas como a Rota dos Pioneiros, o Caminho Coluna Prestes, os Caminhos do Peabiru e a Rota da Fé, somando centenas de quilômetros no Paraná. Essa experiência demonstra que, com articulação institucional e envolvimento comunitário, é possível transformar rotas históricas em produtos turísticos estruturados.

                  A Coluna Prestes foi um movimento revolucionário que atravessou o Brasil em uma epopeia de resistência e esperança. Um século depois, o projeto da Trilha do Cavaleiro da Esperança resgata esse espírito para transformá-lo em desenvolvimento, conservação e memória viva.

                  "A jornada que se inicia agora — com a implantação da sinalização, a adequação de trechos e a articulação com os municípios — promete não apenas perpetuar a história da Coluna, mas também criar um legado concreto para as futuras gerações: um grande corredor verde e cultural que convida brasileiros e visitantes de todo o mundo a caminhar sobre os passos da história.

                  Como nos lembra a experiência de mais de 30 anos de amadurecimento da Rede Brasileira de Trilhas, o caminho se faz caminhando — e, agora, também se faz trilhando.

                  "A EngD participa deste movimento de resgate histórico e preservação da memória do Brasil, o senador Luis Carlos Prestes - o Cavaleiro da Esperança - formou-se em engenharia e deixou um legado de obras no Brasil e em outros países da Améria Latina. Quer participar? entre em contato com engd@engd.org.br e encaminhamos sua participação aos organizadores deste movimento.

                  Miguel Manso é Engenheiro eletrônico formado pela USP, com especialização em Telecomunicações pela Unicamp e em Inteligência Artificial pela UFV. É diretor de Políticas Públicas da EngD – Engenharia pela Democracia. Pesquisador do Grupo de Pesquisa sobre Desenvolvimento Nacional e Socialismo da Fundação Maurício Grabois.