Paralelo 20: Mosaico Humano e Geográfico
Ilustração da artista Isaura Pena

Luiz Carlos Prestes Filho
Sobrevoando Minas Gerais
Exclusivo Catetear Notícias
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Sobrevoar as montanhas de Minas Gerais rumo a Vitória da Conquista, no sul da Bahia — uma região que ressoa tanto do falar e do espírito mineiro —, é a moldura perfeita para a leitura de "Paralelo 20", de Fátima Pinto Coelho. A obra se desenrola em três partes distintas, onde cada seção ostenta uma identidade própria, mas converte-se, ao final, em um grande vitral narrativo.
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"A estrutura do livro atrai imediatamente pela sua ousadia formal, evocando a estética consagrada do escritor Valêncio Xavier. Fátima constrói uma narrativa a partir de fragmentos dispersos que exigem a participação ativa do leitor. "Paralelo 20" opera como um sofisticado quebra-cabeça: cada trecho é uma peça aparentemente isolada que a autora nos permite contemplar por completo apenas ao final da jornada.” |
Foto de Luiz Carlos Prestes Filho
Ao longo da leitura, a sensação de tempo e espaço se dilui. A experiência oscila entre a atmosfera suspensa de um sonho, a intimidade de um diário pessoal, o ritmo visual de um filme documentário e a percepção poética de como a própria eternidade pode se transformar em matéria concreta. É uma obra-colagem que reúne ruídos, retratos e memórias. A imagem de parede de uma fazenda abandonada que visitei recentemente, me remeteu as páginas desta obra que segue por atalhos inesperados... Pois, no percurso visual e textual, surgem em dois momentos cadernos com trabalhos da artista Isaura Pena.
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"Imagens que oferecem um espaço de tempo necessário para pensar nas páginas lidas anteriormente, antes de nos maravilharmos com a potência dessas obras. Diante delas, o próprio ritmo de folhear o livro muda, desacelerando a leitura para contemplar a pausa plástica inserida na narrativa.” |

Ilustração da artista Isaura Pena
A capacidade de síntese de Fátima Pinto Coelho atinge momentos de rara precisão literária. Em passagens como: "Sobrou para ele administrar a decadência. Perder na política. Entregar a cidade ao inimigo. Passar as fazendas para os filhos que não formaram. Ficar satisfeito com a meia banda de porco que eles traziam no Natal." Encontra-se o resumo inteiro de uma vida — a trajetória da ruína familiar e política retratada com absoluta maestria em poucas linhas. Em outros momentos, a existência humana é aproximada da natureza e dos ciclos orgânicos dos seres e das árvores: "Não se sabe mais de folhas."
Foto de Luiz Carlos Prestes Filho
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"Tal como demonstrou em sua obra anterior, Catas Altas de Mato Dentro, Fátima Pinto Coelho reafirma sua identidade profunda com a terra e com a palavra. Em sua escrita, fica evidente a máxima de que a autora é mineira porque é poeta, e é poeta justamente por ser mineira.” |
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"Paralelo 20" - 140 páginas
Fatima Pinto Coelho
Editora MIGUILIN
Belo Horizonte - MG
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Luiz Carlos Prestes Filho é poeta, compositor e jornalista



